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domingo, 24 de novembro de 2013

O Objetivo do ensino religioso no Ens. Fundamental.

O papel do ensino religioso ou cultura religiosa e sua prática no ensino fundamental vem resguardar e abordar eixos fundamentais que fomentam a formação cidadã, humana e também de cunho religiosa.


A prática da cultura religiosa nas escolas remete antes de qualquer outra tentativa de justificativa a necessidade de levar aos alunos a reflexão da abordagem cultural e existencial que a educação religiosa contempla. Em sala, os alunos em contato com textos e atividades de reflexão, agem como sujeitos pensantes em torno da diversidade, da pluralidade de sentidos, da necessidade da unidade a fim de superar as intolerâncias. O ensino religioso é uma proposta que estabelece a unidade, a convivência e a dialogia; é tornar o indivíduo construtor e colaborador de uma sociedade onde persista o respeito pelas diversas manifestações religiosas e culturais. É missão de um ensino religioso favorecer ao estudante possibilidades para que desperte a solidariedade, a justiça, o respeito e a sensibilidade pela dignidade humana.
A presença do trabalho continuado dos valores é um dos papeis do ensino religioso, mas ultrapassa esses critérios de formação, levemos em consideração que educar requer não apenas um ensaio dos valores como forma de rememorar, é além disso; ensinar a partir do cenário social, da violência, do consumo exacerbado, da intolerância religiosa, e da não aceitação do novo e do diferente, tem sido desafiador e conflitante.


Vejo o E.R como uma ferramenta que vem proporcionar recursos, assentar bases para construção da personalidade, estabelecendo fundamentos em vista de que as crianças e adolescentes estejam parcialmente aptos a sobreviverem em um cenário social do mundo globalizado em constantes revoluções.

É o E.R que facilita o individuo a uma consciência de si mesmo e que leva a criança e o adolescente, aproveitará das possibilidades para pensar e atuar. Atitudes, reflexão, valores , estrutura histórica, aceitação, respeito e entre outras; são palavras que por si mesmas já exprimem a utilidade desse componente curricular para o Ens.Fundamental, é esse componente que contribui de forma especial para estabelecer o auto conhecimento, sensibilidade, otimismo , disciplina, sentido critico, respeito pelo novo, etc.
                                                           
Professor Jhonatan dos Santos Ferreira
Participou do Projeto de formação continuada do E.R da Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. 

RELAÇÕES ÉTNICOS-RACIAIS E O CENÁRIO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Texto de abertura oficial da culminância do projeto Valorização das Relações étnico –raciais . E.E. da Fazenda da Betânia ( Pedreira- Itabira.MG)




O projeto valorização das relações étnicas raciais tem como finalidade por propostas das atividades desenvolvidas envolvendo todas as disciplinas, criar oportunidades para que toda a comunidade escolar conheça a trajetória histórica do povo negro no Brasil e na sua construção da cidadania plena. Além disso, colocar em discussão uma questão tanto antiga quanto atual como o racismo e o antirracismo no Brasil desenvolvendo as competências e habilidades de reflexão na identidade, de modo a pensar e agir contra todas as formas de discriminação existentes nos ambientes escolares e também fora dele.
Ressalto aqui, ao elaborar esse projeto com a comunidade escolar, a urgência de um olhar mais minucioso ao tratar a cultura afro brasileira e as resistências predominantes ainda até mesmo por parte de educadores. A questão que levanto, consiste em identificar e conscientizar que a cultura afro brasileira é o berço da nossa história e de nossas matrizes culturais, o que não justifica que fiquemos apenas centrados em pequenos projetos e ações escolares isoladas e sem fundamentação, sendo essa discussão, mais um fato isolado e tratado como segundo plano. Surge aqui a necessidade de reverter esse quadro, o que questiono tomo a liberdade de  direcionar a todos nós professores: Como trabalhar e formar os nosso adolescentes para uma cidadania mais igualitária, se nós mesmos somos cheios de resistências e um preconceito camuflado? A educação para a igualdade é possível em um ambiente escolar dotado de resistências?
Tratar das relações étnicos raciais na educação no Brasil requer de nós educadores uma sensibilização e respeito pela diversidade, essa vertente deve perpassar todas as disciplinas em todo o ano letivo, ela é transversal,  a proposta viabiliza a inserção desse conteúdo nos currículos disciplinares.   A escola que não se abre, planeja e intervém em prol do respeito e da criação da igualdade racial, priva os alunos do verdadeiro exercício da cidadania pautada na diferença. 
O racismo e as práticas discriminatórias vivenciadas pelo segmento populacional negro brasileiro não apenas heranças de um passado distante, mas vêm sendo produzidas e realimentadas ao longo do tempo. Constitui-se, assim, um instrumento que fortalece as desigualdades observadas na contemporaneidade. Um exemplo disso ocorre na realidade educacional.
Para tanto faz-se necessário à escola reverter esta situação adversa tecendo novas propostas, fazendo frente às situações discriminatórias que jovens e adolescentes negros estão expostos no ambiente escolar  e na sociedade como um todo.
Assim, é de fundamental importância tratar as questões raciais no ambiente escolar de forma interdisciplinar, pois, desta forma eles aprenderão a conceitos, analisarão fatos e poderão ser sensibilizados para intervir na sua realidade a fim transformá-la.
É tempo de mudarmos a história da exclusão do negro na educação brasileira, que esse projeto seja uma de muitas ações a serem fomentadoras da inserção digna dos afros brasileiros, é tempo também de revermos as nossas praticas educacionais, aprender, transmitir e relacionar é preciso.

                 

Professor  Jhonatan dos Santos Ferreira 
É graduado em filosofia presbiteral pela Universidade Católica de Minas Gerais/IDJ

Pós graduando em gestão integrada 

Participou do projeto de formação continuada de E.R da Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Professor da rede publica de ensino-leciona Filosofia, sociologia e cultura Religiosa.

 E--MAIL Jhonatansantosfer@hotmail.com


sábado, 7 de setembro de 2013

Educação Religiosa: uma reflexão abrangente as culturas afro –brasileiras e indígenas

A concepção de ensino religioso no Brasil passa a aderir no ano e 1997 um espaço na esfera pedagógica, ou seja, não se restringe apenas ao víeis teológico propriamente, mas, ao contrário, é submetido a uma releitura e abrindo-se a possíveis discussões ao que refere-se à diversidade.
Mudado o cenário de diálogo e de relação, a educação religiosa visa ser adaptada aos parâmetros curriculares.
A tarefa à qual nos concentramos aqui, é pois, buscar apresentar o porquê do acréscimo das culturas afro-brasileiras e indígenas ao currículo da educação religiosa.
Iniciemos por considerar que, o conceito de religião está estritamente ligado à cultura, é neste âmbito, que podemos trazer aos alunos a abertura para o diálogo a tratar da diversidade, afirmando que ao falar do diverso não negamos a existência do diferente.
Ao recorrermos ao conceito de cultura, e, se tratando da atribuição da cultura afro –brasileira e indígena em hipótese alguma podemos nos privar de fazer uma memória à vertente histórica do povo brasileiro, deste do descobrimento do Brasil.
A abordagem dessas culturas no ensino religioso é abertura ao entendimento das nossa matrizes históricas e religiosas, uma vez que não é possível estabelecer e abrir –se para a dialogia pautada na necessidade da diversidade sem ater-nos as raízes.
Começando por identificar que o povo brasileiro herda de uma transmissão cultural que se amplia as vertentes afro e indígenas, e que, foram esses povos que ocuparam um papel importante no solo brasileiro, trouxeram e nos deixaram aspectos multiculturais aos quais herdamos, ou até mesmo com o passar do ciclo histórico formam fontes de pluralismo, isto é; fazer memória e criar espaço para geração da identidade religiosa de um povo.
A reflexão pode ser pautada na prática de didáticas pedagógicas elaboradas com a finalidade de conscientizar, resgatar e formar o estudante para a superação de toda e qualquer modalidade de preconceito acerca dessas culturas, que até então eram vistas como esquecidas e minoritárias. Uma das atitudes a serem assumidas pelo projeto pedagógico consiste à abertura à a valorização da diversidade etnicorracial, para assim, tratar de modo igualitário as heranças civilizatória permeada pela história e cultura negra e indígena.
                                                                           JHONATAN DOS SANTOS FERREIRA



A CULTURA COMO FORMA DE CRIAÇÃO DA IDENTIDADE

No início dos estudos da história, conhecemos que a descoberta do Brasil foi rica de significados e expressões que marcaram e marcam até os dias de hoje o rosto de nosso país.
Começando por entender que antes dos portugueses chegarem as nossas terras, já se encontravam aqui os primeiros habitantes; os índios considerados nativos.
Por todo processo da evolução da história, nosso país foi recebendo marcas e expressões de uma realidade do período do Brasil colônia com a presença mesmo que tardia da chegada do período escravocrata com os negros vindos da África.
O Brasil foi palco de grandes mudanças e adaptações no processo histórico cultural e a exemplo disso percebemos que o solo brasileiro herdou de expressões, mitos e simbologias que são frutos das culturas indígenas e afro.
Contudo, temos que aceitar que antes de falarmos de uma cultura brasileira, precisamos antes recorrer e conhecermos a cultura do povo indígena e afro, esse processo é necessário, pois se trata de um retorno as nossa fontes e as origens que deram sentido à cultura do povo brasileiro.
Recorrer as matrizes históricas é o primeiro passo necessário para a compreensão e resgate das tradições que permeiam nosso Brasil.
Do samba, das festividades, das cantigas de roda, das histórias, do folclore, da culinária, de tudo que é cultura e expressão de um povo, sempre existe um pouco de nossas matrizes culturais.
A formação da identidade cultural de um povo é sempre marcada pelas raízes históricas, é nesse momento que podemos ousar falarmos da importância do estudo da cultura e das tradições que formam o povo brasileiro.
O que não é conhecido, jamais pode ser amado e valorizado, corre sempre o risco de se perder no tempo pelo fato de não ser revivido e reafirmado como parte de nossa história, assim também, é uma cultura.
É por esse motivo que precisamos valorizar o que temos como patrimônio histórico e cultural de nosso povo; recorrer à relatos, histórias, mitos, é disseminar e educar para o respeito das diversas manifestações culturais presentes em nosso país.

                                                      JHONATAN DOS SANTOS FERREIRA



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DIVERSIDADE E PLURALISMO CULTURAL

Da prática do ensino religioso à necessidade do enfoque cultural


Iniciamos por tratar da necessidade do estudo das diversas manifestações culturais que estão estritamente ligadas a fenômenos religiosos. O que nos norteia aqui é a relação que há na prática do ensino religioso com a necessidade da ênfase à diversidade cultural.
Nos artigos propostos para essa atividade, deparamos de início com o questionamento gerado em torno das concepções de religião, concepções essas, norteadas pelo eixo cultural.
 Com a paradigmática mudança de concepção de religião como algo restrito a prática de cultos, crenças, etc, a religião ganha um espaço na esfera cultural, ou seja, a religião é um fenômeno de manifestação cultural, e se ousamos falar de culturas, temos que aceitar também as diversidades religiosas, sendo que as culturas são constantemente diversas.
Religião é parte do domínio histórico, o que justifica a pluralidade religiosa de mitos, ritos e simbologias que, de tal forma estão ligados a fenômenos ou a divindades cultuadas nas respectivas culturas.
A necessidade de relacionar a prática do ensino religioso com a diversidade cultural encontra-se na amplitude que a disciplina tem a dialogar com o caráter cultural, não apenas com os nomes ou rituais das diversas religiões, mas também, ir ao encontro do desconhecido, abrindo assim novos horizontes.
A prática do ensino religioso tem por missão ir além do conceitual de religião, deve, pois, resgatar e trazer aos alunos o que há de valor nas culturas, atribuindo assim, uma forma concreta de disseminação de conhecimento e desejo por desvendar o que ainda é oculto ao nosso conhecimento.
Despertar nos alunos o desejo por conhecer sobre as religiões e as culturas, é reafirmar a necessidade de estabelecer um diálogo que respeite a diversidade e os valores culturais que por si geram o sentido de religião.
 A religião também é um instrumento de transmissão de conhecimento, pelo qual, os alunos podem conhecer-se a si mesmos no anseio de resgatar suas origens culturais, gerando consequentemente a formação da identidade, de uma cultura.

A compreensão do sentido de religião permeada pelo víeis histórico, possibilitará a compreensão do surgimento e os adeptos religiosos existentes, levará também, a uma formação de valores ao que diz respeito ao diferente, ao novo.
É de fato, formar para uma consciência de que é possível conviver com o diferente, sendo a diversidade um sinal de abertura ao diálogo respeitoso, sem que, cada um, na sua cultura, com seu modo de ser religioso, com seus cultos não percam de vista o que os unem; a necessidade de expressar o que tem em seu seio cultural.
Portanto, a relação existente entre o ensino religioso e a diversidade cultural consiste na prática de um ensino que, favoreça aos alunos a abertura para uma reflexão histórica para assim, chegar a compreensão do sentido de religião e o porquê da existência de diversas religiões, é o diálogo religioso e cultural que impulsiona a fraternidade universal.


Jhonatan dos Santos Ferreira- Graduado em filosofia presbiteral. PUC MINAS 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

VIVÊNCIA INAUTÊNTICA

 A Vivência inautêntica
                                                           Imergir no impessoal junto ao mundo das ocupações revela que a presença (Dasein) foge de si mesma como seu próprio poder-ser propriamente. (HEIDEGGER, 1998, p.247)
   É sob a ótica heideggeriana de conceito de impessoalidade que iniciaremos nossa abordagem acerca da vivência inautêntica. A citação acima nos orientará no que tange a compreensão de como o Dasein está sempre vulnerável à impessoalidade podendo, assim, se ater a uma fuga constante de ser si mesmo. No quarto capítulo de Ser e Tempo Heidegger se atém a investigar o ser- no –mundo, o ser-com e o ser-próprio e diante dessa temática podemos recordar que; o Dasein está lançado no mundo e sendo
no mundo ele é ser-com os outros e é ele mesmo conforme segue a citação:
 “[...] o Dasein é um ser no mundo que está envolto por numerosos seres como ele é por outros entes que dele se diferenciam, simples entes que não possuem o caráter de Dasein, por não possuírem esta condição de abertura para o ser.” (NAVES, 2009, p.66)

Heidegger nos orienta a retomar a diferenciação que há entre o Dasein e os outros entes que existem e nos orienta também acerca da margem de possibilidades que podem haver na relação do homem com o outros entes, ou  seja, mesmo em constantes relações o Dasein pode optar por desviar-se do Man (impessoal).
A impessoalidade estará sempre para o Dasein, uma vez que ele é ser de relações e não pode se abster de estar passivo ao Man. O caráter da impessoalidade está condicionado ao fato de que o Dasein sempre convive consigo e com os outros, de tal modo que nenhum homem é dotado de capacidade de existir sem estar aberto às convivências com outros entes. O conviver com os outros é estar aberto ao impessoal de tal modo que: “Este conviver dissolve inteiramente a própria presença (Dasein) no modo de ser do outro e isso de tal maneira que os outros desaparecem ainda mais em sua possibilidade de diferença e expressão. (HEIDEGGER, 1998, p.179).
Uma vez que o Dasein se abre ao Man, ele passa a ver a questões de sua existência também de maneira impessoal e, no que concerne ao tema da finitude, a cotidianeidade experimenta a realidade do ser –para- a –morte de uma maneira impessoal, quando o Dasein está  aberto a uma impessoalidade está também para um falatório[1] (Das Gerede).  O evento do falatório faz com que a morte torne-se um caso  de morte, ou seja, o Dasein desvia de ter que assumir a certeza de sua finitude, o que o leva a não aceitar sua condição existencial, assim também todas as questões de cunho existencial  passam a não ter mais lugar na cotidianidade do Dasein.
Essa atitude gerada pelo falatório leva o Dasein a entender que a morte é um evento reservado ao impessoal, “o ninguém, o alguém”, nesse sentido a finitude existencial para o impessoal é um evento que vai ocorrer ainda, é um por vir, nesse contexto a morte perde-se no impessoal, ela torna-se um fato externo que atinge inesperada e improvisamente o existir inautêntico do Dasein. Aproximando-nos das colocações heideggerianas sobre a condição existencial do Dasein, somos sempre levados a tratar do tema da morte e no que concerne compreender quais são as relevâncias que dirigem o existir do Dasein a uma vida inautêntica compreendemos que a inautenticidade é gerada pelo horror da finitude, o Dasein não deseja pensá-la nem experimentá-la, passa a observar a morte como um morrer dos outros; o Dasein torna-se despreocupado com as questões de sua existência, se refugiando na indiferença, na tranquilidade e na curiosidade.
O viver inautêntico é mascarado pelo desvio da certeza da finitude, é uma postura adquirida pelo homem lançado à impessoalidade, é a impessoalidade que orienta o homem à banalização das questões da sua própria existência, leva o homem a deturpar a angústia visando assim fugir da possibilidade da morte.     
Podemos assim considerar que o que leva o Dasein a viver de modo inautêntico é a constante fuga da morte, ele tende à ocupação[2] (Besorgen), vivendo de coisas meramente passageiras e desprovidas de sentido, é um renunciar a si mesmo se perdendo na massa e nas ocupações. O Dasein inautêntico vive sem uma visão de conjunto da existência (passado, presente e futuro), mas ao contrário, vive focado no presente, aderindo ao impessoal, o Dasein tende a passar a se comportar como decadente, aquele que renuncia ao seu ser autêntico ser no mundo, dispondo da capacidade de decidir e se acomodar ao presente.
Podemos levar sob julgamento se toda essa queda sofrida pelo ser do Dasein na vida inautêntica possa também ter uma positividade, aceitando que ele torna-se importante para que o próprio homem, mediante a “perda do eu”, passe a tomar consciência e se esforce para resgatar a sua autenticidade, retirar o Dasein do vazio é uma tomada de decisão que implica responsabilidade. O Dasein tem um potencial para contornar a situação de inautenticidade, sendo que:
[...] o que se espera do Dasein é aquela transcendência assumida frente às suas potencialidades, suas reais capacidades, o que de forma nenhuma é algo que se consegue sem esforços contínuos e inúmeras renúncias no transcorrer da existência. (NAVES, 2009, p.74)

Neste âmbito, livrar-se de uma impessoalidade requer do Dasein uma postura radical e firme em vista da possibilidade de um projeto de vida no mundo mais autêntico, de tal forma que se o Dasein permanece na inautenticidade é consequência de uma estagnação na vida inautêntica, ele se torna imóvel e conformado com seu estado atual.
Chegamos, portanto, a questionar se o que condicionaria o Dasein a uma vida inautêntica seria apenas fatores externos ao próprio ser do Dasein no mundo, contudo podemos considerar que Heidegger analisa o ser do Dasein e tudo o que o circunda. A adesão pela vivência autêntica ou não, é resultado de uma série de fatores que perduram ao ser do Dasein, ou seja, são fenômenos citados anteriormente, gerados pela certeza da condição existencial do Dasein. É diante da certeza da morte que estes fenômenos são manifestados, ao passo que também a inautenticidade pode se especificar como um dos norteadores que contribuem para o sentimento de perda do sentido de ser no mundo (Das In-der-Welt-Sein), a inautenticidade pode, sim, ser fruto de mudanças dos valores sociais e de uma crescente infelicidade por parte da humanidade, ao fugir de sua condição de existente.
Podemos considerar que os fatores externos também condicionam o viver inautêntico do Dasein, pois eles podem servir de instrumentos para uma possível fuga do Dasein para evitar um confronto com a angústia, fenômeno que quando não é aceito priva o Dasein de se encontrar e viver autenticamente. Esses fatores externos sob essa temática aqui abordada podem receber uma nova roupagem levando em consideração a problemática do tema da valorização da vida e existência na sociedade atual; isso nos leva a perceber que a problemas de cunho filosófico existencial podem ser agregados outras vias de interpretação.



 TEXTO DE : JHONATAN DOS SANTOS FERREIRA-GRADUADO EM FILOSOFIA .PUC.MINAS





[1] Falatório (Das Gerede): “ O termo alemão (reden) significa falar, discursar, discorrer. Dele se derivou a forma “ das Geredete” para exprimir uma conotação específica de excesso, superficialidade e descompromisso com o que se fala. Esta conotação, porém, corresponde a uma tendência constitutiva do exercício concreto da existência . Para traduzi-lo, recorreu-se ao uso corrente da palavra falatório.” ( HEIDEGGER, 1998, p.323)
[2] Ocupação (Besorgen): “Não sendo uma substância, a presença sempre se dá num exercício. Exercício indica e cumpre um centro irradiador de relações. Este termo exprime-se com derivados de Sorge (cura): Besorgen (ocupar-se) e Fursorge (preocupar-se).” (HEIDEGGER, 1998, p.312)

quinta-feira, 28 de março de 2013

DO ASSOMBRO AO SENTIDO DE SER


DO ASSOMBRO AO SENTIDO DE SER
Na reta estrada da vida vamos olhando os passos já dados.
Na reta e nas curvas, somos orientados, e também desorientados, ao que somos e temos de ser, mesmo que seja não por muito tempo. Afinal, a vida é constante incerteza.
Lançados ao véu da existência, questionadores somos; de uma incerteza certa. No tempo e no limiar dos passos, se vão nossas persistentes perguntas acerca do que realmente somos.
Da existência, ao desejo de conferir sentido à vida, eis ai o porquê quem sabe poderíamos dizer a nós mesmos e ao mundo, que antes viemos a este lugar para sermos questionadores.
E o que é viver? E se nunca soubermos o porquê da vida? Seremos menos indignos de gozar dela?
Do medo, do desejo, do sonho e do anseio; surgem um indagar existencial;  um questionar que orienta e ao mesmo tempo causa a verdadeira desorientação, mas, paciência minha gente! Quem disse que não é por intermédio da dúvida que muitos conseguiram respostas plausíveis a questionamentos diversos?
Do medo e do assombro também surge um questionador, do assombro surge o desejo de desvendar o sentido de ser e o gosto do verdadeiro filosofar. É o ser que se desvenda filosofando.

TEXTO: JHONATAN DOS SANTOS FERREIRA
Graduado em filosofia -Puc.Minas